A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade

“A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade” (Joanna de Ângelis).

A família é o resultado do largo processo evolutivo do espírito na extensa trajetória vencida por meio das sucessivas reencarnações, como explicitado no livro constelação familiar, psicografia de Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna de Ângelis. Enfatizam que a família é o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, sendo o primeiro educandário do espírito, onde são aprimoradas as faculdades que desatam os recursos que lhe dormem latentes. É a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz; e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais.

Assim sendo, vê-se que o papel da família é de extrema relevância para que nós enquanto espíritos encarnados possamos desenvolver nosso Eu Superior (Deus interno –  ou processo de individuação, de acordo com a psicologia analítica) – que já existe dentro de cada um, restando apenas ampliar a consciência deste; vindo consequentemente a fortalecer a compreensão de nós mesmos, do outro e do mundo.

De acordo com a ciência do comportamento humano, Becker (2009) traz que a palavra família oriunda do latim famulia, significa o conjunto de pessoas que se encontram sob o jugo de um mesmo pater familias. É a família a entidade responsável por orientar e encaminhar os indivíduos que a compõem ao convívio social, neles implantando noções basilares de conduta para fins de oportunizar sua inserção com o seio da sociedade.

Dentro dessa pespectiva, Simionato e Oliveira (2003) trazem que se entende a família como um sistema inserido numa diversidade de contextos e constituído por pessoas que compartilham sentimentos e valores formando laços de interesse, solidariedade e reciprocidade, com especificidade e funcionamento próprios. Apontam que a família é socialmente construída de acordo com as normas culturais (ela sofre alterações e tem caráter dinâmico), ou seja, a sociedade desenvolve estruturas extrafamiliares pra se adaptar às novas correntes de pensamentos e às novas realidades sociais e econômicas.

Na questão 774 do Livro dos Espíritos é enfatizado que os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis porque os segundos constituem uma Lei da Natureza. Quis Deus que, dessa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos”.  

Corroborando com essa questão, o Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), Cap. XIV, item 8 sintetiza que os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas também pode acontecer que sejam completamente estranhos uns aos outros, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências.

Sobre os tipos de família, os espíritos esclarecem a Allan Kardec, explicitado na mesma parte do ESE mencionado anteriormente:

Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo aos seus discípulos: “aqui estão minha mãe e meus irmãos pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Diante do exposto, compreende-se que a maior contribuição que podemos dar ao mundo/sociedade como um todo é a contribuição do respeito entre nós, em especial nesse caso, nosso seio familiar. Como descrito no início desta discussão, “a família é a escola […] onde se aprendem os deveres fundamentais […]”; ou seja, o aprendizado necessário que precisamos adquirir mediante o convívio com nossos familiares se dá quando entendemos a família como laboratório (em que nos proporciona oportunidade de instruções/experiências fundamentais ao nosso processo evolutivo) e como um lugar de esperança, pois de acordo com a literatura espírita, ‘não é à toa’ que geralmente reencarnamos no mesmo seio familiar (quando há consaguinidade); e mesmo quando não há, estamos onde precisamos estar.

    Obviamente existirão conflitos/problemas familiares, pois somos seres subjetivos (únicos); e em geral estes mesmos são, inclusive, muito importantes à nossa evolução/crescimento. Pelo fato de geralmente termos a necessidade íntima de se ter um bom convívio familiar, acabamos buscando isso diariamente, realizando esforços para tal. Por isso, de acordo aos achados espíritas, Deus concede a certas famílias o recebimento de um espírito revoltado ou menos esclarecido espiritualmente para que no seio ‘equilibrado’ (homeostático) e marcado pela afetividade, este possa ter contato com o amor e os bons fluídos fraternos para que o ajudem. Assim sendo, a família de acordo com o espiritismo é o berço da civilização, onde nós espíritos nos unimos sempre com um único fim que em todos os tipos de família é denominador comum: a evolução moral.

Autora: Viviane Ferreira

Referências:

BECKER, Maitê Cândida. Dissolução do vínculo conjugal: uma análise sobre os (des) cabimento da menção de culpa como causa da ruptura da relação entre cônjuges. Lajeado: Centro Universitário Univates, 2009.

FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação Familiar. 1ª edição eletrônica. Miami Beach (FL), USA: Leal Publisher, 2017.

KARDEC, Allan, 1804-1869. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 365ª edição, 2009.

KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 76a. edição. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília, DF, 1995.  

SMIONATO, Marlene Aparecida Wischral; OLIVEIRA, Raquel Gusmão. Funções e transformações da família ao longo da história. I Encontro Paranaense de Psicopedagogia – ABPppr – nov. / 2003.

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