Adoção, Forma Incondicional de Amar

Não são os da consanguinidade os verdadeiros
laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de
ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e
depois de suas encarnações (…) (ESE, Capitulo IV, no.13).

A adoção sempre foi, na minha família, algo muito natural. Vi acontecer com tios, primos, sogra, cunhada e sempre me emocionei com a capacidade que o ser humano tem de amar, independente dos laços consanguíneos. Sempre fui muito ligada a crianças, pelas quais nutro profundo carinho, pois são as criaturas mais fáceis de amar!

Claro, formar uma família é algo divino e sempre disse que ser feliz é uma questão de escolha. Quantas vezes acontecem impedimentos que fogem à nossa compreensão, para que a chegada de um filho (biologicamente falando) não se faça! Ou quantas vezes as pessoas querem simplesmente aumentar a família e optam por adotar, mesmo tendo a possibilidade de ter mais filhos biológicos? 

Muitas vezes para realizar o sonho da maternidade/paternidade,  depende apenas da ampliação da nossa visão do que significa ter um filho, se realmente estamos dispostos a ser mães ou pais. Percebo que para alguns existe uma visão romantizada ou idealizada, que, ao deparar-se com algum impedimento pelas vias naturais, não conseguem perceber que existem tantas crianças órfãs de carinho, amparo e proteção e que poderia ser seu filho, ou filha. Certamente que na maioria das vezes não atenderão às suas expectativas com relação a aparência, sexo, idade… Mas o amor é algo que se constrói passo a passo. E para quem crê na vida futura e na espiritualidade, entende o que fala o Evangelho Segundo o Espiritismo sobre parentesco corporal e espiritual. Para que possamos exercer essa nobre missão é necessário que abramos, primeiro, o coração e por conseguinte, a nossa própria consciência, nos livrando de preconceitos e crendo que nada acontece por acaso.

De quantas alegrias, de quantas realizações se privam aquelas pessoas que ainda não conseguiram entender que filho é filho, seja biológico ou não. Entendo que nem todos estão preparados para assumir essa responsabilidade, só fico imaginando quanto sofrimento poderia ser poupado, quantas dores atenuadas! Muitas tentantes submetem-se a vários tratamentos, que muitas vezes são muito dolorosos tanto física quanto emocionalmente, quando tentam e tentam, sem sucesso, engravidar! Nada contra aqueles que buscam a realização dos seus sonhos, acredito que temos de fazer exatamente o que nos deixa felizes e é tão maravilhoso quando as tentativas dão certo! Os avanços tecnológicos estão cada vez mais contribuindo para a realização desses sonhos através das Fertilizações In Vitro (FIV), mas infelizmente nem sempre dão certo.

Quisera apenas que soubessem, que para encontrar essa felicidade, não é necessário apenas gerar no ventre, pois o amor é algo que nasce espontaneamente no nosso coração quando nos abrimos para a adoção. Também digo que é preciso desejar muito para cumprir os trâmites legais da burocracia, é necessário se libertar de preconceitos, e estar aberto para receber seu filho ou filha, que pode não corresponder às suas características físicas, estes podem vir com qualquer idade (como no caso da adoção tardia). Às vezes podem até vir com alguma enfermidade ou deficiência, mas nada que o AMOR não possa acolher. Pense comigo: se a criança fosse gerada por você, seria possível escolher determinadas particularidades como questões relacionadas à saúde, a características como a cor dos olhos, o sexo, o formato do nariz, o tipo de cabelo, o temperamento…? Meu Deus, isso é tudo tão pequeno quando se trata do amor que sentimos por um filho, independente como ele seja! Eu acredito que NADA acontece por acaso, acredito que as crianças que adentram nossas casas, nossas vidas, já estavam de alguma forma programadas para nos encontrar, e esse encontro, talvez reencontro é maravilhoso, por maiores que sejam os desafios!

Hoje eu só quero AGRADECER e, quem sabe, INCENTIVAR alguém que porventura esteja na dúvida se adota ou não. Alguém um dia me perguntou se o amor que eu sentia por meus filhos era o mesmo. Gente, eu ri. Eu não sei, nunca gerei no meu ventre, mas posso afirmar com toda minha alma: AMOR É SEMPRE AMOR! Amor não se mede, não se explica, não se define, apenas se soma, se sente… Se for possível amor maior, eu desconheço, só sei que seria capaz de dar a minha vida por eles! Gerei no meu coração duas vezes e me sinto AGRACIADA POR DEUS! A minha vida passou a ter um significado maior depois que eles chegaram, me esforço para me tornar uma pessoa melhor a cada dia, por eles… Então, só entendo que adotar é UMA FORMA INCONDICIONAL DE AMAR aquele que não recebeu sua carga genética, não carrega seu DNA, mas que está ligado a você pelos laços espirituais de forma linda e transcendente. Seja feliz, adote uma vida!

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