ALGORITMO DA VIDA

Saltar da frigideira para o fogo!

Assim definiu Richard Simonetti o suicídio, depois de ouvir inúmeros depoimentos de espíritos que se comunicavam nas sessões mediúnicas que dirigia. Com efeito, as manifestações dos desencarnados que se mataram e voltaram para contar suas histórias são verdadeiros relatos de horror. As piores dores e angústias vividas aqui na Terra não se comparam aos suplícios e decepções que o suicida encontra depois da morte.

Entendo que expor as consequências do gesto infeliz não convence quem começa a achar que a vida não vale mais a pena. Mais valerá, entendo eu, detectar o ambiente e as causas que começam a minar o instinto de conservação e procurar minimizá-las ou, se possível, extingui-las.

O que leva alguém ao suicídio? Comprometimento intelectual? Processo obsessivo? Desilusão amorosa? Problema financeiro? Vergonha? Dúvidas filosóficas? Opressão? Pobreza extrema? Desespero? Falta de sentido para a vida? Solidão? Desesperança? Bullying? Falta de religião? Despreparo para a vida? Fóruns de proselitismo com as “vantagens” do suicídio? Alcoolismo? Drogas? Fanatismo religioso? Doenças incuráveis? Perdas afetivas? Causas psicossociais? Causas físicas? Materialismo severo? Violência? Negligência? Abandono familiar?

Sim, amigo leitor, tudo isso, e muito mais, existe no mundo atual, que alguns autores chamam de distópico e corroído. Devemos falar no suicídio?

Muitos pedem aos jornalistas que não toquem no assunto e evitem a palavra suicídio. Em 1998 o Japão era um dos países de maior taxa de suicídio do mundo e o assunto era evitado. No ano 2000, órfãos de pais que tiraram a própria vida passaram a falar na imprensa sobre o assunto, em longo e gradual processo de conscientização. O número de mortes caiu vertiginosamente.

Pode o Espiritismo ser considerado uma vacina contra o suicídio? Sem a pretensão de considerá-lo a última palavra sobre o assunto, temos que reconhecer que a crença em Deus, na vida após a morte e os alertas que os espíritos de suicidas nos trazem são poderosos elementos dissuasores. Maior argumento, no entanto, são as explicações para todas as dúvidas filosóficas que existem, cujas respostas encontramos no estudo da Doutrina Espírita. Isso é suficiente?

Infelizmente não. Os espíritos superiores não têm sossego, diante dos recorrentes sinais que pessoas em depressão começam a emitir, no que está sendo chamado pelos estudiosos de gramática de expressão. Ela indica a tendência ao suicídio, mesmo em estágios iniciais, e também está presente no comportamento das pessoas nas redes sociais.

Quando a espiritualidade detecta esses sinais, alarmes são disparados, buscando prestar auxílio, diretamente à pessoa em perigo, ou por intermédio dos que estão próximos a ela. Daí, os alertas que constantemente são feitos pelo Centro de Valorização da Vida, para que se evite deixar o depressivo sozinho. Quando há alguém ao seu lado, ou quando ele cria coragem para ligar para uma instituição socorrista — CVV Disque 188 —, sua frequência muda e o mal pode ser evitado.

Os esforços dos nossos anjos guardiães acabam de ganhar um novo e precioso aliado: o Algoritmo da Vida. Um projeto sem precedentes assinado pela Rolling Stone Brasil, veículo voltado à cultura pop, principalmente à música, em cujo campo lida diariamente com alarmantes sintomas de depressão, que abreviam de forma precoce a vida de muitos de seus músicos e seguidores.

A ferramenta Algoritmo da Vida identifica a recorrência de termos constantes da gramática de expressão e encontra perfis de potenciais candidatos ao suicídio. Com a conversa, formas de tratamento adequadas e auxílio de psiquiatras, a Rolling Stone Brasil já detectou quase trezentas mil menções que sugeriram a linguagem da depressão.

Isso será suficiente? Negativo.

A lista de causas de suicídios que mencionamos no início deste artigo é enorme e precisa de um posicionamento mais abrangente, não apenas do Espiritismo como de todas as religiões, filosofias e ONGs, extensivo à toda a sociedade, que precisa urgentemente debater o assunto.

Segundo André Trigueiro, repórter aliado do CVV no combate ao suicídio, o fenômeno é um caso de saúde pública no Brasil e no mundo e precisa ser melhor observado, principalmente junto de jovens e adolescentes.

 Por que as pessoas se suicidam? A falta de religião — não necessariamente a espírita —, as bolhas de proteção familiares que se desfazem, jogando o jovem de forma despreparada para a selva social, e a falta de exemplo de participação dos pais, são os fatores mais citados pelos estudiosos do assunto. A sociedade, no entanto, como um todo, precisará se posicionar urgentemente sobre o futuro, mudando os rumos da tragédia comunitária que avulta.

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Fiquemos com o Evangelho Segundo o Espiritismo:

A calma e a resignação adquiridas na maneira de considerar a vida terrestre e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio.

Allan Kardec


Autor: Sidney Fernandes

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