DO AQUÉM E DO ALÉM

Em 23 de agosto de 1973, Jan-Erik “Janne” Olsson entrou, encapuzado e armado com uma metralhadora e explosivos, num banco localizado no centro da capital sueca. Durante seis dias, Olsson e outro criminoso chamado Olofsson lá mantiveram quatro reféns, objetivando o atendimento de suas condições. Um fato estranho chamou a atenção das autoridades suecas: reféns estabeleceram laços afetivos com os sequestradores. Esse estranho comportamento de identificação emocional entre opressores e vítimas foi denominado pelo criminologista Nils Berejot como Síndrome de Estocolmo.

***

— Maria, Maria, onde você está, Maria?

Quem assim se expressava era um desventurado espírito, comunicando-se em reunião mediúnica do Grupo Espírita Emmanuel.

Irmão Procópio, mentor da casa espírita, explicou:

— Busca a esposa devido à forte sintonia que nutrem mutuamente. Embora não queira o mal da companheira de muitos anos, está provocando sérios comprometimentos em sua saúde física.

Sem mais delongas, Irmão Procópio apressou-se em entregá-lo para condução a organização próxima, em intenso processo de transformação.

— Quem se comunicou foi Ernesto, que desencarnou há pouco tempo, esposo de Maria— explicou Ana Clara, ligada ao atendimento fraterno. Recentemente começaram a aparecer alguns problemas com a viúva. Maria passou a ter visões de Ernesto.

— Infelizmente, essa proximidade passou a se configurar como verdadeira simbiose entre os dois, a ponto de provocar alguns transtornos físicos em Maria. Ernesto, com remorsos de fatos pretéritos, procurou a pessoa mais querida e de sua inteira confiança: Maria — esclareceu Constantino, dirigente do grupo mediúnico.

O grupo de amigos encontrou Maria feliz e descontraída. Tal qual o mentor espiritual havia anunciado, rompera-se a anormal ligação entre os cônjuges. Nossa breve história poderia terminar aqui, amigo leitor, com um final feliz de uma transitória situação. Lamentavelmente, não foi bem assim que aconteceu…

Estocolmo entre espíritos

Texto inspirado no capítulo Em Serviço Espiritual, do livro Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz

Após o socorro do grupo mediúnico, as disposições de Ernesto melhoraram, a ponto de receber, de bom grado, o eficiente tratamento de instituição socorrista espiritual.

— Achava-se Ernesto em tratamento quando, em noite de desdobramento espiritual, pela atuação do sono, surgiu Maria, inesperadamente — relatou Irmão Procópio.

—  Ernesto, Ernesto! Por que você não está ao meu lado? Volte imediatamente para nossa casa!

— Maria não está interessada em seu próprio reajustamento? — perguntou Constantino.

— Isso é o que ela julga querer — explicou Procópio, espirituoso. No íntimo, ressente-se da falta do companheiro querido, alimenta-se de seus fluidos, a ponto de ir em sua busca.

Milhares de pessoas são assim. Dizem-se prejudicadas e inquietas, todavia, quando se lhes subtrai a moléstia de que se fazem portadoras, sentem-se vazias e padecentes, provocando sintomas e impressões com que evocam as enfermidades a se exprimirem, de novo, em diferentes manifestações, auxiliando-as a cultivar a posição de vítimas, na qual se comprazem.

— E o que será do casal a partir de agora? — perguntou Constantino, ansioso por novos conhecimentos.

— Maria acordará, no corpo carnal, pela manhã, e se lembrará vagamente de haver sonhado com o marido. Ernesto retornará ao seu tratamento espiritual. Ambos, no entanto, passarão por novas abordagens de nossos técnicos espirituais.

— Com que finalidade? — indagou Constantino, curioso.

— A de modificar-lhes as disposições espirituais e favorecer a criação de novos pensamentos, para que essas criaturas aprendam a nutrir somente hábitos salutares, sem escravidão mútua, que geralmente obsessores e obsidiados mantêm reciprocamente.

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Fiquemos com os ensinamentos de Emmanuel, aplicáveis às relações domésticas.

Quantas vezes, surpreendemos as vítimas da obsessão e do erro, da tristeza e da provação, dentro de casa! Julgamos, assim, que a parábola do bom samaritano produzirá também efeitos admiráveis, toda vez que nos decidirmos a usá-la, na vida íntima, compreendendo e auxiliando aos vizinhos e companheiros, parentes e amigos, sem nada exigir e sem nada perguntar.

Fontes consultadas:

Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz

Luz no Lar, Emmanuel

Síndrome de Estocolmo, https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Estocolmo 


Autor: Sidney Fernandes

http://www.sidneyfernandes.com.br/artigos