EREMITÉRIO

Expressão de sonoridade fúnebre, até rima com cemitério, mas se refere tão somente, ao local escolhido pelo eremita para viver. Ele isola-se do mundo, a pretexto de se preservar de suas impurezas, por amor à natureza, religiosidade ou falta de sociabilidade.

Da Idade Média chegara a ideia de que o pecado seria superado por intermédio do sofrimento. Proliferaram várias fórmulas de sacrifício voluntário, em forma de tecidos grosseiros, roupa com pele de cabra ou espinhos, que grandes personalidades portavam, discreta ou acintosamente, na prática do autossacrifício físico.

O filme Código da Vinci, baseado no livro homônimo de Dan Brown, desperta polêmica junto aos exegetas católicos, que, não obstante os excessos cometidos no retrato apresentado da instituição Opus Dei, são obrigados a admitir que a mortificação corporal ainda existe nas chamadas ordens monásticas.

O insulamento absoluto, como forma de fuga do contato com o mundo ou de autoimposição penosa, foi motivo de severas críticas dos espíritos consultados por Allan Kardec:

Fazer maior soma de bem do que de mal constitui a melhor expiação — alertaram os mentores.

Espíritos consideraram o isolacionismo como fruto do egoísmo humano. Melhor seria se o sacrifício do homem fosse direcionado em favor do seu próximo, para o bem do seu semelhante, do que egoisticamente cuidar apenas do seu próprio interesse.

Richard Simonetti vai mais além. Nos nossos tempos, em que é mais raro esse tipo de isolamento, ele detecta outro eremitério: o do homem comum, componente de vasta parcela da população atual. Diferentemente do ermitão da Idade Média, não vive em locais isolados ou desertos e sim numa caverna: o seu lar.

Nele está o seu oásis, distante das misérias humanas e das carências alheias. É o homem comum, que se diz religioso, não praticante, que se isola em sua própria casa, indiferente aos problemas do mundo. Preocupa-se com a sua vida, no máximo com a dos familiares. O resto que se lasque.

Conquistam a almejada felicidade? Superficial e pouco duradoura. Não por coincidência, encontramos nos países mais adiantados do mundo, com elevados níveis de satisfação social, os maiores índices de suicídio do nosso planeta.

Eles são os eremitas urbanos, que possuem dinheiro, conforto, poder e satisfação, mas não conseguem alcançar a realização interior proporcionada pela dedicação às causas meritórias, que alcançam o próximo.

A felicidade, ainda que relativa, aqui na Terra, só é alcançada quando conquistamos o seu tempero mais importante: a paz. E o método infalível para obtê-la, em nossas vidas, está na participação em movimentos de solidariedade em favor do bem comum.

As casas religiosas, dedicadas à filantropia e à caridade, em seus mais variados ângulos, representam o fórum ideal para dar a resposta precisa para qualquer um que almeje a paz, que o levará à felicidade.

E o Centro Espírita está capacitado a nos oferecer precioso leque de atividades, que se abre aos voluntários que queiram servir. A casa espírita crescerá, na medida em que os seus voluntários saiam de suas cavernas e assumam atividades preciosas em favor do ser humano carente.

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Obras consultadas

Por Uma Vida Melhor, Richard Simonetti, Código da Vinci, Dan Brown e O “Código da Vinci, a Igreja Católica e o Opus Dei”, artigo contido no site https://opusdei.org.


Autor: Sidney Fernandes

http://www.sidneyfernandes.com.br/artigos