Mensagem de Marta, 02 de setembro de 2020

Avançando, mesmo que penosamente, entre os espinhos de sua própria história, o homem vem descortinando a cada momento ângulos novos da natureza que o cerca.
Abandonando a cada geração atavismos e preconceitos, vícios e rebeldia contumaz, vai edificando em si e em torno uma nova teia de relacionamentos mais saudáveis e consistentes.
Tateando a noite do túmulo, agora com o forte suporte de uma ciência menos materialista e propensa à investigação em derredor da energia mais rarefeita, vai descortinando pouco a pouco que a vida física é apenas etapa grosseira da experiência evolutiva que cabe a cada um carpir, nela investindo seus melhores esforços para progredir e iluminar-se nas trilhas da evolução.
Começa a identificar que Deus não é um ídolo de pedra ou de barro, colocado num altar ou totem de adoração infantil, onde cada um busque agradar esse ser superior em louvação infantil e interesseira, trocando satisfação de caprichos pessoais por oferendas materiais, como a lidar com uma divindade mitológica. Sutilizando o próprio aprendizado em torno da força causal da vida, começa a dar-se conta que Deus é uma inteligência primária e vigorosa, que atende a criatura através de sutis mecanismos das leis eternas, insculpidas na intimidade profunda do próprio homem, a se expandir à medida que seu entendimento da vida igualmente se dilata.
Sua própria marcha na Terra deixa de ser uma aventura sem metas ou objetivos transcendentes, tornando-se programa superior de aprendizado e lapidação das arestas do primitivismo que ainda nos caracterizam o comportamento rude.
Desperto, começa a permutar ódio pelo amor.
Guerra por paz.
Vingança por perdão incondicional.
Arrogância por humildade.
Egoísmo por compartilhamento.
Torna-se mais sensível à dor alheia.
Adota a solidariedade como ponte para aproximar-se do infortúnio de muitas existências.
Abandona a postura de juiz da vida alheia, a si mesmo julgando-se com severidade e clareza, e aos demais acatando como eles são, não como gostaria como eles fossem.
Enquanto enxuga as lágrimas dos que o procuram, esquece suas próprias dores, fazendo-se lufada de esperança na aridez de muitas vidas tristes.
Começa, então, a penetrar o luminoso caminho da sublimação de si mesmo, domesticando o ego e adentrando-se, vagarosamente na desafiadora estrada do apostolado junto àquele que permanece caminho, verdade e vida.
Já não vive. O Cristo nele vive, operando irreversível transformação interior, onde a lagarta abandona o casulo inútil e distende asas de luz ao sol da vida abundante, volitando para para além dos interesses rasteiros, a serviço integral da redenção de todos.
Torna-se uno com Ele.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 02.09.2020