Mensagem de Marta, 05 de agosto de 2020

Desde que situado no planeta para o desiderato da evolução, o homem sempre teve maior facilidade para a instrução do que para com a educação. Academias e universidades, escolas filosóficas e instituições outras primaram por ofertar ao ser humano, desde cedo, conhecimentos diversificados sobre a história, rudimentos de aritmética, filosofia, canto e lógica, sendo este um currículo mínimo em tempos remotos. Já a educação do ser, tarefa primordial da família, ficou circunscrita à família grega e romana, que basicamente instruia seus filhos para a guerra, para a política ou para o sacerdócio que começava a estruturar-se no mundo.
Se o ser sabia e dominava o arcabouço do conhecimento disponível em seu tempo, quase sempre estava deseducada para lidar com as diferenças de culturas então existentes, fazendo de sua cultura tacão para preservação da raça oriunda e extermínio dos povos que lhe eram estranhos.
Por toda a história universal temos notícias dos déspotas esclarecidos. Governaram com mão de ferro os súditos, impuseram regras draconianas, esmagaram com violência inaudita as rebeliões e exterminaram adversários como quem sufoca um formigueiro no meio da lavoura promissora. Rios de sangue banharam algumas culturas do passado, sendo hoje objeto de estudo para se entender porque fomos tão belicosos e arbitrários no trato com os diferentes.
Na atualidade, inegável reconhecer que por toda parte o conhecimento se espalha de maneira vertiginosa, beneficiando as artes, a economia, a religião e as ciências de modo geral, frutos abençoados da cerebração de muitos. Mas claudica a educação das massas, entregues à instintos e perversões que chocam periodicamente a sociedade em ebulição. Crimes bárbaros, cometidos com requintes típicos de povos selvagens já extintos.
Criaturas portadoras de diversos títulos acadêmicos que se deixam arrastar pelo banditismo hediondo ou tornam-se gestores da coisa pública, ali descarregando a astúcia na corrupção e no favorecimento pessoal, pisoteando o interesse coletivo.
Em família, dão orgulho pelos saberes colecionados, mas no trato diário assemelham-se a feras encarnadas, sempre prontas ao revide e à agressividade gratuita.
Atravessam os anos espalhando o medo e a morte, o infortúnio e a dor, semeadores de lágrimas doridas. Somente a muito custo da sociedade são detidos quando suas condutas psicóticas ultrapassam limites, deixando atrás de si uma enorme onda de amargura e desalento nos atingidos por seus atos criminosos e insanos.
Cérebros invejáveis pela cultura, portadores de sentimentos vis e abjetos. Domínio de vários idiomas e ausência de sensibilidade para penetrar as carências do povo. Verbo fácil e facúndia arrebatadora, mas guiados por instintos primários, apenas vislumbram seus próprios interesses, mantendo o coração numa redoma de mármore frio.
Inadiável se faz investir na educação emocional, aquela que prepara o ser para a convivência amistosa e fraterna com o seu semelhante. Dulcifica os sentimentos para entender que nem todos estão no mesmo nível de compreensão da vida, carentes de quem os ajude a libertarem-se da ignorância que os apequena. Reclamam, sem sombra de dúvidas, a alfabetização indispensável numa sociedade cada vez mais culta, mas igualmente precisam de afeto e atenção, gentileza e amorosidade que os socorra na travessia dos abismos que ora separam os sábios e doutos da massa ignara, qual rebanho sem pastor.
Ele sabia o que havia no homem. Não desconhecia que daríamos um salto quântico no conhecimento, tocando as estrelas no futuro, mas sempre esteve mais atento à nossa milenar dificuldade de relacionamento uns com os outros. Não seja, pois, de estranhar, que Jesus haja investido tanto no amor como mensagem maior da educação.
A cultura enverniza por fora. O amor faz luz por dentro.
O conhecimento nos ensina a dominar o mundo. A sabedoria nos dá o autodescobrimento.
O título acadêmico fica no chão do planeta. Os sentimentos nos acompanham na viagem de regresso ao país da luz.
A esperteza triunfa nos negócios e na política, ofertando destaque passageiro. A humildade e a gentileza falam a nosso favor nos portais da vida espiritual.
Cultiva teu cérebro, mas não te esqueças do coração.
Investe na dilatação dos saberes, mas não relegues a plano secundário teus sentimentos.
Caminhas no chão da Terra, mas ergue teus olhos para o céu.
Entre o cérebro que pensa e raciocina e o estômago que digere, nos imantando ao corpo grosseiro, a divindade situou o coração que sente, criando uma ponte para que não percamos nossa origem divina, a erguer-se do pó das misérias humanas para a conquista de nossa imortalidade triunfante.
O amor será teu passaporte para os braços de Deus.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 05.08.2020