Mensagem de Marta, 05 de outubro de 2020

Só gratidão sempre


As histórias de vidas inúmeras parecem traduzir, em muitos casos, buscas e ambições parecidas. Do berço ao túmulo, milhares de destinos anseiam por poder, posse e prazer.
Quais argonautas da velha mitologia grega, fazem-se novo Jasão com seus amigos, atravessando inúmeros perigos para capturarem o velocino de ouro.
A ânsia do triunfo material está ínsito na criatura desde eras priscas, dominado que fora e está pela cultura materialista em predomínio nos cenários do saber terrestre.
Sedento de caça e dominação desde o início da civilização, vem atravessando as eras sempre ambicioso de tudo e a todos se impor, sem o correspondente domínio sobre si mesmo.
Luta para dominar o mundo, ainda incapaz de dominar-se.
A vilegiatura carnal se constitui em sublime oportunidade do ser amplificar sua visão da vida, dilatando a capacidade de ser útil ao próximo e à comunidade onde está inserido. Por mais que retenha haveres transitórios de pequena ou vultosa monta, terá que deles se apartar um dia, desalojado do carro orgânico como um inquilino despossuído do imóvel por ordem de despejo da morte. Valerão apenas os títulos de amor com que haja semeado a própria estrada, pavimentando-a com amizade e trabalho em direção aos cimos da vida.
Tudo que seja material e passageiro ficará retido nas vielas do mundo, em trânsito para a desagregação.
Muita falta faz uma cultura sólida que edifique no íntimo do ser a certeza da impermanência de tudo e sua condição de ser imortal que é, ainda não compreendida e aceita pela grande maioria dos acrisolados nos tecidos materiais.
A morte permanece um doloroso capítulo da vida, extinguindo fantasia, sonhos e castelos de ilusão. Situando o homem no chão da realidade, tem o condão de afastá-lo da luxúria onde mergulhou, desavisado, o resgatando para sua primitiva realidade, o despertando paulatinamente para a grandeza da existência além da cortina de ossos.
Há dois mil anos, o governador do planeta desceu em pessoa à convivência dos tutelados, a fim de observar a marcha da evolução humana, trazendo aos corações as diretrizes da boa nova.
Da manjedoura ao calvário, esteve despossuído de tudo que representasse títulos transitórios.
Nenhum imóvel, nenhum veículo, animais, escravos.
Fez-se servo de todos.
Lavou os pés de doze amigos, antevendo que por aquele colegiado seria abandonado nas horas dos graves testemunhos.
Distribuiu as imensas reservas de Seu amor entre os não amados do mundo.
Perseguido, fez-se ovelha mansa entre lobos famélicos.
Assistiu Sua mensagem ser deturpada pela astúcia humana, hoje em muitos lugares habilmente manipulada para edificação de impérios teológicos e financeiros passageiros, mais aturdindo mentes infantis do que as esclarecendo no rumo da plenitude.
E não obstante ser o homem mais comentado e discutido da história universal, símbolo da libertação de muitos, permanece até hoje crucificado em paredes e museus, distendendo braços à feição de asas, apontando as diamantinas claridades da vida espiritual como bem maior a ser conquistado pela criatura humana.
Ainda não foi entendido integralmente.
Nem teve Sua mensagem experimentada no viver de muitos que o dizem amar.
Entretanto, seja como seja, estamos todos na mesma barca terrestre, sob o comando D’Ele, atravessando o mar revolto das paixões e das quimeras, acertando contas com o tempo nas trilhas do próprio destino.
E é para o alto que a evolução nos arrasta.
Sigamos, cheios de bom ânimo e confiança. Jesus espera.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Juazeiro, 05.10.2020