Mensagem de Marta, 14 de agosto de 2020

Proclama-se, com justa razão, que vivemos hoje muito melhor do que em eras remotas.
Perfectíveis, melhoramos gradativamente as condições de vida, de moradia, alimentação e higiene produzindo, como resposta, uma melhor qualidade de vida e uma longevidade orgânica que hoje beira quase uma centena de anos no corpo.
Vacinas erradicaram doenças. Água tratada preservou a saúde de milhões. Lares bem construídos nos deram segurança contra os flagelos naturais e a limpeza urbana evitou o morbo de bacilos e vírus, garantindo saúde para as coletividades. Escolas e tribunais firmaram o direito acima da força e converteram a ignorância em conhecimento, esta em sabedoria.
Entretanto, se bibliotecas cheias e cultura vasta nos consolidaram as pesquisas e as descobertas, ainda há muito por se enfrentar e erradicar na convivência antes que possamos nos afirmar civilizados. Se o cérebro, nestes últimos dois milhões de anos, saiu do embotamento e do primitivismo para as glórias estelares e para a tecnologia de ponta, a ética não viveu o mesmo esplendor e a moral experimentou doloroso rebaixamento de valores, na medida em que a criatura se permitiu saber, mas não sentiu na mesma proporção.
Enquanto os artefatos de última geração deslumbram os sentidos, o coração ainda se ressente da falta de solidariedade, da disputa insana e mesquinha por haveres materiais transitórios, na obtenção de vantagens indevidas e a puxada de tapete parece ser algo comum, onde alguém tripudia sobre outrem.
Se a ciência, aperfeiçoada em limites que não podemos delimitar nos tem ofertado melhores condições de moradia e permanência no corpo perecível que temos, a alma que somos reclama um alimento que reside no afeto e na permuta de eflúvios de natureza psíquica, sem o qual a vida estiola e perde o sentido existencial.
Onde a máquina não chega, o amor preenche vazios.
Onde o veículo não vai, a esperança socorre os desesperados.
Onde a comida não desembarca, a solidariedade ampara e socorre em nome de Deus.
Inegável reconhecer que não podemos mais abrir mão da conquista de tantos valores intelectuais, acumulados ao longo de milênios de pesquisa e estudos, descobertas e investigações de mentes audaciosas e curiosas, mas igualmente constatamos que não é possível viver e conviver sem ternura e gentileza, sem apoio e sem o abraço nos momentos difíceis e desafiadores.
A atual pandemia que assola a humanidade evidenciou de maneira aguda que sem parceria não avançaremos de forma desejada e sonhada, nos estagnando no ego e no egoísmo feroz, não obstante cercados de equipamentos de última geração. Entretanto, se laureados por máquinas sofisticadas não cultivarmos os valores do coração e não projetarmos de nós mesmos o afeto que acolhe, a civilização será sempre uma utopia, pois que apenas cultos seremos. E muitas vezes, estribados na cultura sem sentimento, ergueremos no mundo as tiranias políticas, os cárceres para adversários políticos, os cadafalsos de extermínio e os campos de concentração, de hedionda memória. Aviltamos o direito, manipulamos a justiça para atender interesses escusos e não raro espalhamos o medo e a inquietação nas massas sob manipulação de bastidores de trevas.
Quando as nações são governadas por generais, geralmente a guerra torna-se comum e frequente. Quando idealistas e filósofos orientam as coletividades, a paz se faz duradoura. Mas em qualquer situação, não podemos olvidar Aquele que desceu ao mundo num berço de palha, não disputou prerrogativas mundanas, não foi servido em momento algum e subiu coroado de espinhos sua ladeira de testemunhos, ofertando a intelectuais e pensadores, artistas e estetas, religiosos e descrentes o mais alto padrão de dignidade que já se viu na Terra em todos os tempos.
Sua bandeira foi o amor.
Sua ideologia estava e está alicerçada na misericórdia.
Perdoando, lecionou conduta sem palavras.
Servindo, fez-se servo de todos.
Ante os modelos frágeis e quebradiços do mundo, adota Jesus em teu mundo íntimo como paradigma e referência, avança entre as tentações do caminho e tanto quanto esteja ao teu alcance ama, perdoa, serve e passa.
Para o mundo esta é a maior mensagem.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 14.08.2020