Mensagem de Marta, 16 de setembro de 2020

Como em época alguma, vive-se na Terra o tempo das aparências. Escravizado por uma massificadora idolatria em torno da matéria, o Espírito reencarnado tudo faz para parecer o que não é.
Subjugado por um discurso social de magreza, busca em desespero esquivar-se da gordura e do carboidrato contido nos alimentos, tentando manter o corpo dentro dos padrões impostos pela estética atual.
Seduzido pela mídia, onde a maioria esmagadora exibe dentes perfeitos e sorrisos esculpidos por sofisticados aplicativos da internet, a criatura humana luta por conquistar um rosto perfeito, valendo-se de substâncias injetáveis e outros artifícios que ocultem as lágrimas que verte escondido de todos.
Corpos sarados e longamente esculpidos sob esforços desumanos em academias traduzem uma sociedade prisioneira das aparências, esquecida da essência que deveria ter primazia.
Têm-se lido cada vez menos, não obstante as intermináveis horas dedicadas às redes sociais, onde os diálogos primam pela vulgaridade e superficialidade, sobrando acusações e ataques a instituições e pessoas.
Tomado pela fúria de parecer o que não é, desfigura-se cada vez mais o homem e a mulher, adentrando-se no vale sombrio dos conflitos existenciais e tombando no limo pegajoso das fachadas que constrói para sustentar uma felicidade que não possui.
Dando excessiva prioridade ao ego, ao carro físico em marcha para o túmulo, olvida o ser imortal que é, em trânsito para a vida espiritual após visita da morte.
Enorme lacuna toma conta da atual sociedade vigente, infinitamente mais preocupada com o acúmulo, a posse precária e o empoderamento transitório do que com sua realidade transcendente, profunda, investindo muito pouco no equacionamento dos enigmas do existir e do viver.
Culto e intelectualizado, deixou-se tragar pela soberba e disputa com o pavão quem possui a cauda mais vistosa. Vive no condomínio das aparências até o momento em que tem, terá, que enfrentar a realidade da vida.
Assaltado pela enfermidade cruel, assiste a saúde aparentemente robusta esvair-se de um momento para o outro.
Triunfante na ribalta social, registra aflito que a concorrência ao posto de celebridade tem muitos interessados, todos ávidos pelo pedestal ligeiro da fama. E por ele desgasta-se, sofre, terminando os dias terrestres na ilusão e no sofrimento.
A verdadeira realidade é a do Espírito imortal que somos, e não do corpo que temos. A viagem pela matéria é simples minuto entre o berço e o túmulo, estágio educativo para o ser indestrutível. Toda aparência, por mais bela que se apresente, derrete-se pela ação do tempo, qual vela acesa, cujo pavio se consome à medida que ilumina o espaço em que foi situada para esbater a escuridão reinante. E a parafina derretida atesta que ela se desintegra na proporção que clareia o móvel onde foi posta.
Jesus conhecia como ninguém as nossas vaidades. Nem por isso nos deixou sem diretrizes superiores.
Cantando o incomparável Sermão da Montanha, nos legou o mais extraordinário poema de imortalidade já ditado ao coração da criatura humana. Nele, indicou onde estão os nossos verdadeiros valores, nos fazendo enxergar a realidade profunda da vida, a se exprimirem no amor ao próximo, na ação da caridade e no perdão incondicional das ofensas com que venhamos a ser atingidos.
Carpindo um passado doloroso, vivendo o tormento das aparências presentes e rumando para o futuro de paz, cabe-nos desde já lutar contra a hegemonia materialista, superando-a para acrisolar a certeza de nossa imortalidade, a vencer o tempo e o espaço, em viagem perenal para nossa perfeição relativa.
Reflete, enquanto estás a caminho, sobre tuas buscas no mundo. Verifica com cuidado o que é necessário e o que é passageiro. Separa o joio inútil do trigo suculento. Será com este último que farás para ti o pão da vida.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Juazeiro, 16.09.2020