Mensagem de Marta, 17 de agosto de 2020

Vinculados a inúmeros amigos e afetos do pretérito, nossa jornada evolutiva nunca se deu a sós. Renteando-nos a marcha, muitos deles nos seguem os passos como sentinelas de nossos tentames.
Inspiram saudáveis resoluções.
Sugerem caminhos novos.
Acalmam nossa inquietação nas horas dos grandes desafios. Convidam ao refazimento íntimo quando estamos prestes a desistir de tudo.
Por muito nos amarem, desejam ardentemente nos auxiliar na superação de dificuldades e testemunhos que deveremos viver nas lutas materiais, campo de experimentação onde eles também estiveram um dia. E por muito calejados nas lutas evolutivas, tentam nos dizer, por mil modos, que a maior dádiva da vida é o tempo, tesouro que a divindade nos confia para agregarmos experiência e aprendizado na escola da vida. Por isso mesmo, deve ser aproveitado com sabedoria e utilizado com discernimento.
Tempo sempre o teremos, mas nunca com o valor do tempo perdido.
Uma hora de leitura logra arrancar o ser da incultura.
Dez minutos de prece refaz a alma prestes a tombar.
Meia hora de diálogo fraterno dissolve o desespero.
Quinze minutos de silêncio interior pode ser decisivo nas horas difíceis, evitando queda na depressão ou o suicídio covarde.
Numa jornada pelo corpo, via de regra temos à nossa disposição um expressivo quantum de tempo, situado entre o berço e o túmulo, nos oportunizando inúmeras situações de crescimento e elevação, aperfeiçoamento e aprendizado.
O tempo é igual para todos, mas seu aproveitamento é absolutamente desigual, pois cada um dele se valerá conforme suas intenções e estágio de compreensão da vida.
Há tempo de semeadura. E muitos optam por espinhos.
Tempo para desfazer enganos, e a astúcia cria novas mentiras para sustentar as antigas.
Tempo de reflexões no caminho, e vários corações optam pela escravidão voluntária a vícios e paixões devastadoras.
Tempo para desatar nós nos relacionamentos perturbados, mas cativos de sentimentos rasteiros, prefere fortalecer os grilhões do primitivismo, chafurdando-se na alienação dos desejos.
E o tempo, que se move vagarosamente sessenta minutos a cada hora, vai desfilando à nossa frente como a dizer-nos que em breve nos convocará para prestação de contas.
E quando tudo parece se encaminhar para o ilusório triunfo na arena material, a morte nos arrebata para ao país da verdade, dissipando a pesada neblina que nos ocultava de nós mesmos, nos impondo o cautério da verdade e nos projetando no despertar da consciência.
Choro e ranger de dentes.
Frases de lamentação tardia.
Súplicas desesperadas por nova cota de tempo.
Busca de amigos para interceder em favor de nossa falência prevista e anunciada.
Estes amigos e afetos do ontem longínquo surgem como amparo à nossa dor e ombro carinhoso para acalento de nossa profunda decepção, mas nada podem fazer se desprezamos o tempo, aviltamos a oportunidade recebida e repelimos as inspirações por eles ofertadas.
Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem, disse-nos o Divino Amigo.
Amigo da senda evolutiva, se ainda existe tempo disponível em teu relógio evolutivo, refaz teu programa de hoje, reflete no aproveitamento do tempo em tua vilegiatura carnal e investe incansável em tua melhoria íntima desde hoje, pois que diante de tempo tão escasso, minutos valem ouro e dias são de valor incalculável, não te criando algemas infernais aos pensamentos quando, na pátria espiritual, tu venhas a lamentar o uso da jornada carnal na futilidade e no ócio destruidor.
Terás um novo amanhã, mas igual a este, nunca mais.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 17.08.2020