Mensagem de Marta, 20 de agosto de 2020

Numa experiência evolutiva, o homem se vê em constante luta contra as imperfeições. À semelhança de um pigmeu em terras de gigante, tem de enfrentar constantemente seus golias íntimos, tentando domá-los para não ser por eles subjugados.
Ainda sedento de poder e domínio sobre os demais, desconhece a si mesmo e via de regra opta sempre pela supremacia de seus próprios interesses, desconhecendo os alheios e quando lhe apraz, os esmagando.
Desconhecedor da própria imortalidade, trafega do berço ao túmulo fugindo da morte como se buscasse exorcizar um fantasma que o incomoda, julgando-se, quando na posse da saúde orgânica, inexpugnável na cidadela de ossos em que se oculta por breve tempo.
Egoísmo passa a ser zelo, vaidade torna-se cuidado extremo, inveja é simples desejo, orgulho é tão somente autoestima, arrogância é definida como defesa de seus pontos de vista e na torpe estrada do desconhecimento trafega na aquisição de coisas que vai ter de deixar, agarra-se ao corpo como a hera sobre o muro, nutre-se de paixões selvagens, adota posturas contraditórias e infantiliza-se nos relacionamentos interpessoais.
Os gigantes da alma perdida dominam o cenário íntimo, impedindo que os olhos vejam a realidade da vida.
Certamente que não será fácil lutar contra as más inclinações. São elas velhos comensais de nosso país interior, a que nos acostumamos nutrir de maneira prazerosa, e em retribuição elas nos deram a ilusória sensação de dominar o mundo, gozos passageiros e alegrias efêmeras. Ignorando a passageira estadia no carro orgânico, passamos a ter ideia de que chegamos pra ficar indefinidamente e que a morte, se aparecer, visite os outros.
A verdade deve ser ignorada e a ilusão cultivada, nos patrocinando a fictícia ideia de que temos o comando da vida e estamos na direção correta.
As leis universais, sempre justas e sábias, em determinado momento de nossa trajetória evolutiva, passam a fazer certos ajustes indispensáveis ao Espírito estacionado na própria cegueira.
Pandemias aparecem para demonstrar a fragilidade do vaso carnal.
O luto, sem pedir licença, visita o lar e ali instala lágrimas no lugar dos demorados sorrisos.
A morte, algumas vezes, manda recado e comparece para convocação de alguns entes queridos, que rumam para desconhecido país.
Decepções restabelecem o desgovernado trem da existência aos trilhos da realidade ignorada.
A perda de coisas tidas como indispensáveis nos conclama ao reexame do necessário e do supérfluo.
E sob pesada chuva de lágrimas, nevoeiro de incertezas e inquietações várias, desconstruimos o frágil castelo de nossas buscas sôfregas, constrangidos por tantos aguilhões a abandonar as áridas terras de nossa pequenez moral para avançar em direção ao continente de nossa realidade espiritual.
Os ventos da misericórdia divina nos arrancam da asfixia da matéria perecível, nos apontando os cimos da vida como fanal de nossas buscas, e para o alto somos obrigados a marchar, abandonando os baixios de nossa pobreza emocional.
Perene conhecedor de nossas fragilidades milenares, Jesus foi e é o maior psicoterapeuta da criatura humana de todos os tempos. Como bom pastor, conhece profundamente nossos golias de avareza e presunção, tendo nos lecionado com a própria vida a cátedra da autoiluminação.
Fez de Seu berço símbolo de humildade comovedora.
Aliciou doze amigos da mais profunda rudeza cultural para o auxiliar na tarefa hercúlea de semear a esperança.
Conhecia as sombras de cada um e não lhes negou em momento algum o culto da gentileza e da amizade.
Aceitou o martírio sem reclamar, subiu Seu calvário em silêncio incompreensível para os coevos e tornou Sua cruz escada para o infinito.
Filho, não somos indiferentes às tuas lutas contra as paixões e as más inclinações. Muitas vezes assistimos tuas quedas no escorregadio piso dos interesses rasteiros. Anotamos tua fragilidade diante dos poderosos. Tua impotência e solidão em meio à multidão desvairada e louca, sedenta de poder e domínio do mundo, ignorando que amanhã estaremos todos a caminho do sepulcro para acerto de contas com a eternidade.
Se ignoravas tudo isto, agora sabes. Sabendo, és responsável. Se és responsável, tua vida e teu destino estão em tuas mãos.
Podes, desde hoje, prosseguir na tua marcha insana ou buscar diferente caminho para tua evolução. A escolha é tua.
Decide, como Davi, enfrentar teu Golias de incertezas e medos, fantasias e ilusões.
Que te adiantará ganhar o mundo e perder o controle de tua alma?
Essa resposta só tu podes dar.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 20.08.2020