Mensagem de Marta, 20 de julho de 2020

Era uma vez…
Assim começavam as histórias que nos contaram na infância.
Castelos medievais, onde reis e rainhas disputavam poder e prestígio. Dragões vomitavam fogo e punham aldeias em cinzas. Heróis trafegavam de espada em punho, vencendo bandidos e facínoras, conquistando o amor de donzelas indefesas e sonhadoras.
E estes contos terminavam sempre com a vitória do bem sobre o mal. E eles eram felizes para sempre…
Avançando para a idade da madureza, substituímos a fantasia pela realidade, o ilusório pela praticidade.
O pragmatismo nos impôs uma vida amarga, cheia de incertezas, amarguras, aflições.
Sonhos viram fumaça.
Desejos nem sempre se realizam.
Felicidade parece fugidia,
escapando de nosso controle como areia por entre os dedos.
Entretanto, nada está perdido nem fora do controle. Tudo segue um rumo traçado por ações praticadas, geradoras de reações no tempo e no espaço. Indivíduo algum à matroca, qual embarcação desorientada em mar revolto. Nenhum destino humano sob direção do caos, e sim debaixo de leis imutáveis, eternas, que não podem ser ludibriadas.
Semeadura sempre livre, colheita sempre compulsória.
Oportunidade perdida sempre regressa, nunca com o mesmo valor da possibilidade negligenciada.
Tempo aviltado estará de novo à nossa disposição, jamais com a mesma riqueza do minuto desprezado.
É da lei que cada um receba conforme semeou, resgate apenas o que deve, atravesse a estrada que necessita para aprender e carregue a cruz dos testemunhos na medida dos próprios ombros.
Nem leve em demasia nem pesada em excesso, acima do devido.
Equidade total. Equilíbrio sem privilégios. Justiça igualitária, atendendo iguais e desiguais de maneira correspondente.
Nenhuma punição. Educação.
Nenhum fogo eterno. Regiões de aprendizado incessante, na Terra e na vida espiritual.
Nenhum céu estanque, ocioso. Trabalho junto aos sítios de dor constante, levando luz aos mergulhados nas sombras da ilusão ou da ignorância.
Nem anjos nem demônios. Homens e mulheres em dois planos da vida, no inestancável intercâmbio psíquico e emocional.
Saudades aqui. Lá também.
Dores neste plano material. Ajuda e suporte aos desvalidos da estrada evolutiva por parte de benfeitores incansáveis.
Nenhum rogativa fica sem resposta.
Lágrimas aqui vertidas possuem consolação por mãos invisíveis.
Aflições que o mundo não enxerga ou não quer ver encontram auxílio nas fileiras do infinito.
Solidários deixam de ser solitários.
Ilusões se desfazem ao sopro da verdade.
Nenhuma asa nas costas. Nenhuma virtude parasitária. Nenhum erro sem remissão divina.
Queda, sintoma de que esteve de pé. Mãos se dão no levantamento dos caídos. Dores são pensadas.
Jesus, modelo e guia para mulheres e homens.
Alfa e zênite da sublime aspiração nossa.
Seu evangelho, carta magna e excelsa constituição da vida moral.
Suas parábolas, histórias ricas de conteúdo ético vivencial, dissipando as teimosas névoas da fantasia e da superstição.
Seus ditos, roteiro seguro para uma vida feliz.
Seu calvário, vereda de nossa libertação das dores do mundo, apontando-nos a eterna ressurreição.
Vem, abandona esses castelos escuros e estas construções medievais, cercadas de medo e poderio ilusório. És filho da criação infinita, herdeiro de Deus, e tua destinação é seres co-criador com Ele da casa universal.
Teus dragões sucumbiram na poeira da estrada. Já não cospem fogo ou labaredas destruidoras. Em seu lugar, as estrelas incidem sua claridade diamantina, apontando-te o caminho para o infinito.
Ficar no mundo ou subir aos céus é escolha tua.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 20.07.2020