Mensagem de Marta, 21 de agosto de 2020

Encurralado em conflitos dos quais não vê saída, inúmeras criaturas buscam no suicídio a fuga da dor que os consome.
Perdida a quietude mental, o ser destrambelha a pouca serenidade que desfruta na vida e se sente vítima de fúrias internas que não consegue controlar, derrapando na busca de uma saída para aquele escuro labirinto de pavor.
Alguns rascunham ligeiros bilhetes derradeiros a familiares, deixando entrever a solidão e os conflitos que os consumia, imperceptíveis aos demais. Outros, e é a grande maioria, aniquila o vaso físico de maneira violenta, a todos colhendo no impacto devastador.
São milhares de atentados contra a própria existência todos os dias, milhões a cada ano, gerando sinistra estatística, convocando especialistas e estudiosos a um exame cada dia mais profundo de sua gênese motivacional.
Em meio a uma sociedade com tantos prazeres materiais, por quê o autocídio?
Como entender tantos pacientes terminais, resignados com a própria ruína orgânica e tantos jovens saudáveis resvalando, alucinados, para o aniquilamento pessoal através do suicídio?
Fracassos financeiros vultosos, paixões avassaladoras não correspondidas, doenças sem cura e depressões crônicas tem sido arrolados por muitos como explicação para tamanho disparate. Estudiosos de várias áreas vem buscando explicações para oferta de uma solução que reverta esta cruel epidemia moral entre as criaturas humanas, diminuindo as tristes estatísticas que ensombram o planeta a cada instante.
Seja qual for a motivação, o drama vivido, oculto ou conhecido de todos, não tem a criatura encarnada o direito de destruir a armadura orgânica em que se manifesta, pois que dela não é autor, a tendo recebido por acréscimo de misericórdia para o elevado desiderato de evoluir e aprender nos círculos da vida terrestre.
O suicida não foge da vida, pois que esta é inatingível. Ele tenta estancar a dor que o consome, devendo buscar ajuda para que a dois esta se dilua na solidariedade e no amor, ensejando pausa para a definição de novos caminhos em busca de uma solução.
Inumeráveis suicídios se dão por estímulos provindos do mundo espiritual onde, na invisibilidade, muitos comparsas e adversários do ser se demoram na loucura e no ódio que os alucina, vítimas do ontem e sicários do hoje, em cobrança implacável das dores lancinantes que lhes causamos em outras existências.
Traições vergonhosas no campo dos afetos. Ruínas financeiras que os levaram também ao suicídio.
Filhos abortados que permanecem como sentinelas das sombras, empurrando para o corredor da loucura aquela que os rejeitou no ventre dilacerado.
As causas que motivam ao suicídio estão, muitas vezes, além da fronteira física, em dolorosas páginas que o tempo não esqueceu, hoje reunindo credores e devedores em triste convívio de dor e amargura, depressão e medo.
A todo suicida está reservada a decepção de descobrir, de maneira tardia, que com seu gesto impensado não resolveu o problema do qual ansiava libertar-se, não aniquilou a vida, que estua além da matéria, e que prosseguindo vivo, terá que arcar com seu gesto impensado nos limites de sua responsabilidade.
Ante a nuvem sombria que empana teus raciocínios, sugerindo evasão das lutas de aperfeiçoamento, busca ajuda na prece que ilumina a razão embotada. Silencia para pensar na grandeza da vida e na própria imortalidade. Reflete na dor infinita que sulcará os afetos, atingidos pela trágica ocorrência. Busca suporte na medicina ou nas terapias psicológicas, evitando o ato tresloucado que apenas te removerá de um plano material para um rarefeito, onde recomeçarás com maiores dificuldades tua ascensão adiada.
Em qualquer situação difícil ou desafiadora, recorda-te de Jesus, a Ele suplicando ajuda nos instantes onde te pareça faltar o chão, jamais esquecendo de que quando teus pontos cardeais estiverem sob pesado nevoeiro emocional e mental, pela rogativa sincera e ardente, o socorro virá do alto.
Em meio à tempestade, vive e luta, lapida-te e avança um centímetro que seja por dia, jamais optando pela falsa saída da auto destruição, como se esta te projetasse no vazio total, sem a correspondente responsabilização de teu ato. És imortal e esta condição te coloca acima de qualquer destruição. Viverás sempre, aqui ou no mais além.
Busca Deus e não te faltará ajuda dos bons espíritos nos instantes decisivos.
Suicídio, jamais!

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 21.08.2020