Mensagem de Marta, 28 de julho de 2020

O século das luzes e da tecnologia ficou para trás. Após uma centena de anos de admiráveis conquistas científicas e avanços na cultura e na economia, o mencionado período também deixou um saldo macabro, constituído de luto e atrocidades inimagináveis.
Duas guerras mundiais.
Pandemias devastadoras.
Atentados terroristas que abalaram a humanidade.
Crises humanitárias de proporções alarmantes, com milhões de pessoas abandonando seus lares para fugir à sanha truanesca de guerras civis e de ditadores impiedosos e cruéis.
Previsões otimistas deram sinais de que estávamos rumando para a era de Aquário, caracterizando um período de fartura e de paz, de harmonia e espiritualidade.
Sem sombra de dúvidas que muitas ações nobres também assinalaram o século findo, lançando sobre a sofrida humanidade o frágil tecido da esperança e da confiança em dias melhores.
Organizações não governamentais se fortaleceram na defesa de espécies ameaçadas de extinção. Movimentos de solidariedade estenderam seus braços por diversas fronteiras, diminuindo a fome e levando ajuda a grupos encurralados. Minorias saíram às ruas para reivindicarem seus direitos. Em muitos lugares, as flores calaram os canhões e o ferro se converteu em arados e não em rifles e metralhas.
Cresceu enormemente a busca por livros de auto ajuda, templos diversos estão apinhados de orantes, gurus e sacerdotes se fizeram celebridades, arrastando multidões de fiéis, mas se as religiões se expandiram em quantidade, nem sempre se observou a melhoria da fé esposada.
O fanatismo permaneceu uma ferramenta de morte.
A intolerância criou guetos de miséria e de confrontos destrutivos.
A corrupção desviou recursos vultosos da assistência aos invisíveis sociais, lançando ou mantendo milhões na mais degradante miséria sócio-econômica.
Fortunas inimagináveis se fizeram da noite para o dia, arrancadas dos miseráveis e utilizadas para satisfação das paixões mais torpes e vis que se pode imaginar.
Corpos esculpidos no bisturi e outros demoradamente lapidados nas academias renteiam com seres cadaverizados pela fome e doentes largados ao abandono quase que total.
O glamour da TV contrasta e agride a realidade dolorosa das ruas e das favelas, onde enxameiam os desfigurados pela dor e pelas aflições superlativas.
Em meio a esses contrastes gritantes, onde a Terra muito se assemelha a um vasto manicômio, a figura de Jesus pareceu ter sido resgatada com inusitado vigor. Milhares de bíblias distribuídas por cristãos reformistas. Igrejas suntuosas erguidas ao preço de milhões, acolhendo incontáveis simpatizantes da causa D’Aquele que não tinha uma pedra onde repousar a cabeça ferida. A cobrança dizimática, em muitos lugares, transformada em verdadeira indústria lucrativa para algumas lideranças, enquanto as massas desesperadas, quais ovelhas desgarradas de um pastor, avançam penosamente no mundo, entre o medo e a desesperança.
Ante os primeiros vinte anos do novo século, nos pareceu ver a continuação do século vivido. As mudanças tardam a chegar, a pandemia esfarelou o otimismo de muitos e o desmonte da economia, produzindo milhões de desempregados, parece sinalizar escuro período à nossa frente.
Todo amanhecer é antecedido de madrugada escura. A tempestade ruge, mas tem prazo para se dissolver nos seus efeitos. A ciência acena com a cura de inúmeras doenças, vozes se levantam, otimistas e animadoras, conclamando à ética e às austeridades esquecidas.
O rigoroso inverno das paixões vai cedendo espaço à primavera da esperança.
O Cristo abandona os altares de pedras e as cruzes de dor, seguindo pelas ruas e avenidas ao encontro dos caídos e dos esquecidos, dos aflitos e desesperados, lhes recordando outra vez as divinas lições exaradas há dois mil anos:
-Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
Sigamos. Ele nos espera a vinte séculos.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 28.07.2020