Mensagem de Marta, 31 de agosto de 2020

Mergulhando no corpo para o desiderato da evolução, o Espírito nem sempre tem consciência clara dos percalços que o aguardam na árdua caminhada.
Ansioso por se libertar de aflições e dores que o maceram, frutos espúrios de incorrerta conduta no pretérito, terá que sobrenadar a própria inferioridade, lutar titanicamente contra as imperfeições morais e defrontar-se com desafetos e cobradores, que igualmente retornarão à liça para ajustes necessários nos trâmites da evolução incessante.
Respirando novamente os densos fluidos carnais, é muito corriqueiro que o candidato à elevação esqueça os compromissos firmados na erraticidade, incidindo em velhas condutas das quais não consegue alforria, por delas se nutrir para manutenção da inferioridade moral em que ainda se compraz.
A ambição desvairada.
O egoísmo primitivista.
A presunção doentia.
O orgulho tolo.
A indiferença criminosa.
E mesmo sabedor de que tais demônios íntimos podem voltar a ser causa de novas quedas, muitos retornam aos campos da vida física e embriagam-se dos vapores alienantes de vícios e arrastamentos perniciosos, tombando outra vez nos próprios equívocos.
A lei de misericórdia, que acompanha sempre a lei de causa e efeito, qual gatilho sensível do tempo, é possuidora de recursos que promovem o despertamento do ser para reajuste suas tarefas no mundo, evitando o malogro da reencarnação tão arduamente conquistada. E em momentos diversos da existência, envia sinais para que a rota perdida seja recuperada e a cegueira espiritual seja medicada.
Enfermidades soezes convidam o equivocado às demoradas reflexões.
Acidentes e tragédias agem como veículos de despertamento da consciência embotada.
Fracassos e desilusões variadas restabelecem o trem da vida nos trilhos da realidade abandonada.
Decepções e infortúnios outros chamam o ser de volta à sua tarefa no mundo, criando campo fértil para cultivo da humildade e do desapego.
Certo é que nem todos compreenderão esses apelos e chamamentos enquanto estiverem enovelados nas teias grosseiras da vida material, sedentos de posse e tomados pela febre do ouro passageiro.
Esquecidos da vida espiritual, retomam com fúria incontida velhos hábitos de pregressas e fracassadas experiências, incidindo em erros e equívocos já cometidos mais de uma vez, não restando outro recurso à divindade que não seja de deixar ao ser cultivo livre da própria loucura ou frear de maneira abrupta a insensatez, intimando o ser para imediato regresso ao plano espiritual.
A morte do corpo muitas vezes age como meio eficaz, evitando maior endividamento do ser perante as divinas leis.
Arrebatado do corpo de carne em pleno vigor físico ou quando os horizontes materiais se dilatavam, promissores, tudo quanto acumulava na sede abrasadora de posse fica para outros dominarem, facultando ao ser reavaliar a sementeira esquecida, evitando incidência em novos descaminhos evolutivos.
Nunca estamos sozinhos na jornada do aperfeiçoamento espiritual. Amigos e benfeitores da vida maior nos tutelam a existência terrestre, inspirando sempre boas resoluções e aconselhando moderação e equilíbrio nas procelas da reencarnação. Nem sempre são escutados. E quando observam que o pupilo fez da vontade viciada trilha escabrosa para reincidência no mal, pedem eles aos poderes superiores medidas drásticas, sendo muitas atendidas em regime de urgência, a trazer de volta o equivocado ao barco da realidade aviltada.
Em Seu divino messianato, Jesus renteou com muitos sentenciados das divinas leis, prisioneiros de corpos-prisões. Tomado de infinita compaixão e sabedor de que seus débitos estavam quitados, se valeu de seus divinos poderes para libertar muitos das constrições orgânicas que os infelicitavam, lhes outorgando novas possibilidades no corpo precário restaurado, a fim de que cultivassem luzes na escura estrada do burilamento íntimo.
Nem todos despertaram para esse elevado sentido. Ainda hoje é assim.
Visitados pelar dor-advertência, decepção-chamamento, crises-intimação e limitações necessárias, o ser comumente estertora na inconformação, se agita na rebeldia e blasfema na revolta surda.
Amigo da senda, se te vejas visitado pelos meirinhos da dor ou da enfermidade, da carência ou da solidão, nunca perguntes aos céus porque contigo. Indagas a ti mesmo que fazes de tua rota nas trilhas do mundo, corrige teu roteiro equivocado e segue otimista e confiante.
Deus não deseja tua destruição. Apenas que eduques em tuas províncias íntimas as paixões que te consomem a séculos, te descortinando novo horizonte à tua frente, para onde podes e deves seguir em busca de tua redenção espiritual.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 31.08.2020