Mensagem de Marta, de 13 de Julho de 2020

Em milhares de anos de existência sobre a Terra, o homem poucas vezes viveu sem a presença da guerra. Necessitando dominar o meio, subjugar as feras e afastar tribos antagônicas das áreas de caça e coleta, a sobrevivência impôs o uso da força como mantença da sua e da existência do grupo onde estava inserido.
Inicialmente foram os embates corpo a corpo. As armas e utensílios de caça passaram a ser instrumentos de abate logo em seguida, e com a descoberta da pólvora as armas de fogo passaram a ditar um estilo de extermínio nunca antes visto na sociedade humana. Nos tempos atuais, as guerras estão assinaladas por altíssima tecnologia, onde muitos artefatos de destruição em massa são teleguiados por sofisticados sistemas de satélite, dispensando a presença humana na sua viagem para o alvo.
E a paz parece utópica…
Organismos internacionais se ergueram no pós ou entre guerras, propondo locais de diplomacia onde as controvérsias pudessem ser solucionadas pelo diálogo. A chancelaria funcionou em inúmeros casos, evitando a destruição de comunidades inteiras e em outros, não impediu a natureza violenta da criatura humana, ceifando preciosos tesouros da cultura e da sociedade em constante evolução.
A busca por paz é um anseio do Espírito, que sabe que não tem como conviver em clima de belicosidade constante. Necessita ele pazear com os demais, criando condições individuais e coletivas para edificação de uma sociedade harmônica e feliz, onde possa amplificar e dar desenvolvimento aos seus elevados anseios de descobrir a beleza oculta da vida.
Jesus nasceu num século assinalado pela paz imposta por Augusto, a governar Roma, subjugando inúmeros povos vencidos nas batalhas daquele século fascinante. Ao lado da aparente paz então reinante, se utilizou de Sua mensagem para difundir o amor e conclamar todos à conquista da verdadeira paz, aquela que começa no ser que se desarma das más inclinações.
Que cumpre deveres sem pensar em direitos.
Que serve e ama sem esperar contrapartida.
Que silencia onde outros xingam.
Que ora enquanto muitos desesperam.
Que perdoa as faltas alheias, não as suas, procurando sempre as corrigir para ser hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje.
Não armado, vive amado e amando.
Identificando-se com o Divino Amigo, aceita sem murmurações as ocorrências contrárias ao seu querer, ajustando-se ao chamamento da divindade para desempenhar seu papel na sociedade e na família, buscando sem cessar a construção da paz social, que será inevitavelmente reflexo da paz individual.
Pacíficos e pacificadores, nos tornaremos arautos de um novo tempo, colaborando com o Cristo para a progressiva construção de uma coletividade divorciada da guerra e de suas funestas consequências, rumando para os venturosos dias do porvir, estância onde a ventura e a harmonia serão estados naturais da criatura, a nos identificar como discípulos D’Ele, por muito nos amarmos.

Espírita Marta – Médium Marcel Mariano
Salvador, 13.07.2020