O Progresso

Artigo com base no estudo na obra O Progresso, do filósofo Espírita Leon Denis séc. XIX e XX.

O progresso, é a ascensão do maravilhoso, do belo, do sublime, do justo e do verdadeiro, não esse “verdadeiro” que estamos tão acostumados que nos faz esquecer o que é de fato a Verdade, tal qual Jesus a proclamou; O progresso vestindo o verniz da evolução falsa, recheado de ideias materialistas, em verdade e em verdade, este é enganoso, corruptor das consciências, transborda mentiras, vilania e concupiscência. O progresso meus amigos, é o encontro do homem com ele próprio, capaz de avançar em busca e em direção da sua própria consciência, ao mesmo tempo que marca o encontro entre Criador e criatura.

Não obstante, a de se notar o progresso das instituições desde quando temos notícias do desenvolvimento do pensamento democrático na Grécia de Pitágoras, Sócrates, Platão e de Aristóteles; Na Roma de Cícero, Ovídio, Horácio, Sêneca, Epíteto, de Marco Aurélio; Na China de Lao-Tze, Confúcio de Mêncio; Na Babilônia de Hamurábi, no Egito de Ramessés, Tutancamom, Aquenaton; Na Pérsia e na Índia de Buda. Frente a tudo isso, permite Deus que avancemos cada vez mais na compreenssão de governos e instituições, mas o homem ainda preso em seu egoísmo, promiscuidade e corrupção, decide muitas vezes implodir o progresso, criando modelos e estruturas onde as instituições se tornam beneficiária apenas de alguns, deixando que a maioria do povo caia em sofrimento, foi sempre assim no limiar da história da humanidade, vivemos momentos promissores e outros de decadência, mas o progresso resite ao tempo e a ambição desenfreada do homem. Contudo, quer Deus que o progresso não seja aplacado, enviando sempre novas oportunidades para que avancemos um pouco mais.

Quando o homem constrói a primeira cidade conhecida estruturalmente como Civitas, passa a dar um passo mais adiante nesse grande momento organizacional de modelos civilizatórios e organizados de governos. E assim acontece o grande progresso da humanidade, em uma longa caminhada árdua, vencendo os solavancos dos homens viciosos egoístas. Mas, progredir é o maior objetivo do homem na terra, se configurando como o seu principal dever perante os Códigos do Todo Poderoso, vivendo a Justiça, o Amor e a Fraternidade entre os povos. Desta forma, o forte deve ajudar a erguer o mais fraco, estende-lhes as mãos, no sublime compromisso com as Leis Universais do Criador.

Com base no princípio social, é o progresso um estado de conquista, onde o homem vive com outros homens e mulheres em perfeita harmonia, sem explorar nem se deleitar com a queda e o sofrimento dos irmãos em padecimentos, vítimas de ações, muitas vezes sofisticadas de explorações empregadas por outros homens, que nascem em condições de auxiliar o irmão caído e jogado nas sarjetas que a vida quiçá lhe impôs como forma de resgate por violar os Códigos Divino, mas que apesar de tudo, merecendo a nossa misericórdia. Por ventura, não nos disse o senhor: Serdes misericordiosos para recebermos misericórdia; faça a outrem o que gostaria que o outro lhe fizesse.

Vale ressaltar e trazer a lume, três perspectivas onde o progresso deve estar presente: na campo político, social e religioso. É evidente que no grande curso da história, presenciamos reis déspotas e tirânicos que assumiram o poder com um único objetivo, o de explorar e subjugar seu povo, quando na verdade estavam na condição de ajudar os combalidos a se reerguer vitimados pelas injustiças dos homens motivados pela ganância e poder. Não obstante, vimos povos prósperos, como os gregos, romanos em épocas recuadas antes da chegada do Cristo à terra, o Divino mensageiro do paz se perderem em seu progresso. No entanto, esses povos como afirma Leon Denis (2012, p.46), “Os gregos e os romanos foram vencidos pelo luxo e indolência”; atravessamos eras e tempos históricos que pensávamos que nunca mais sairíamos do lodo e da corrupção sem fim. A Era das Trevas, quando houve uma espécie de recrudescimento do mal, povos bárbaros invadiram o vasto Império Romano, vítima da corrupção interna, da vaidade e da sensualidade do povo e mais ainda dos governantes, que mais deveriam dar o exemplo de Justiça, da Moral e do Direito.

E assim a humanidade viveu 12 séculos embebida em “trevas” dando nos a sensação de que Deus havia esquecido de nós, mas Deus como soberana Justiça e Amor, e Jesus como o nosso Governador Planetário ergue suas súplicas ao Pai se todos nós, para que o progresso continue, fazendo-nos conhecer a era da Arte, da beleza, do conhecimento e da ciência, eis que surge o renascimento e o Iluminismo com os grandes vultos da humanidade para combater o pensamento dogmático da igreja, que vilipendiou os assuntos sublimes e os ensinos do Cristo, conhecemos a figura doce de Francisco de Assis, a voz implacável de Martinho Lutero, denunciando os abusos da igreja, que deveria sair em favor do desvalido e já oprimidos pelos falsos reis católicos que se colocavam como superiores e padres como santos e divinos, sem possibilidade de falibilidade, como conhecíamos a súmula papal da época que colocava o Papa como infalível, gerando contestáveis visões, dando início a Reforma Protestante.

Mas foi na Revolução Científica e no Iluminismo que tivemos o maior confronto de ideias e ascenção do pensamento humano dessa nova era, onde as falsas verdades começaram a ruir e a se renderem ao argumento filosófico-científico de grandes Almas, como Voltaire, Russeau, D’Alambert, Diderot, Montesquieu com seu “O espírito das leis”, Spinosa com seu “Tratado Político e a Ética”, Bacon, John Locke, Kant com a “A crítica da Razão pura” e tantas outras almas que vieram se juntar aos esquecidos, aos desprovidos de esclarecimentos para trazer um pouco de luz ao mundo – e trouxeram, nos mostrando que o progresso pode ser até retardado, mas jamais impedido de forma permanente.

Enfim, Denis nos diz que: “Dessa forma, o trabalho e o progresso tornam-se a lei suprema do mundo; o arbitrário e o milagre desaparecem. A criação se faz através do tempo, tempo de esforços contínuos, pelo trabalho de todos os seres, solidários uns com os outros e no proveito de cada um”. Não haverá obviamente uma só religião, contudo, as religiões verão Deus nas pessoas, elas se compreenderão, perceberão que Deus está em todo o lugar, todas cantarão uma só marcha, um só hino, que será em direção Verdade, a Justiça, a Luz e a Deus.

Por Ailton Caetano