Testemunhas do Cristo

“Ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra”.

Testemunhar as obras do Cristo constitui atitude prudente e desejável a todos nós que ansiamos por sermos cooperadores de sua obra. Para que a implementação do Reino de Deus nos corações humanos se dê de forma sustentável e imperecível, necessário se faz a consolidação de suas verdades eternas no âmbito dos atos cotidianos.

Demonstrar através do exemplo que arrasta a certeza dos preceitos evangélicos engrandece ao que a ele se entrega de corpo e alma. A vivência, a partir do interior, de atitudes humanas e cristãs, acalma e ilumina os caminhos trilhados neste mundo de provas e expiações. Jesus é o modelo, nós somos as suas testemunhas.

Obrar em sua seara deve significar o galardão e a auréola necessária ao bom combate. Desde Paulo de Tarso, a vida nos oferece uma quantidade enorme de exemplos para nos espelhar neste quesito em especial. Ele soube, dentre outros dignitários e paladinos do bem, dinamizar em si os conhecimentos hauridos na leitura dos pergaminhos e sedimentados na pregação apostolar.

Em conversa fraterna com os amigos Prisca e Áquila – companheiros diletos quando recluso no deserto de Dã – Paulo extasia-se ao saber que Prisca recebera a visita inoportuna e afrontosa, em seu lar, de israelitas radicais. Estes com o auxílio de instrumentos de flagelação tinham o intuito de castigá-la pelo simples motivo de seguir a Jesus.  

Quando receberemos as inquietações do mundo com alegria, por havermos testemunhados os ensinamentos do Mestre? Sem lamentações, mas com a certeza de que, se a sociedade nos pune, é sinal de que estamos no caminho certo. Termos a certeza que para galgarmos o domingo de páscoa há necessidade de passarmos pela sexta-feira da paixão, quando Jesus se entregou ao abandono dos amigos, à indiferença de Pilatos e à fúria da multidão que preferiu Barrabás à sua doce presença.

Noutro episódio, Paulo despedindo-se dos amigos de Cesareia, recebia os acenos afetuosos e tristes daquela comunidade, quando o companheiro e médico, Lucas, registrou os fatos na acústica de sua alma. Emocionado tencionou registrar o quanto o apóstolo fora amado pelos que receberam suas bênçãos.  Mais que depressa o apóstolo advertiu-o para que deixasse escrito apenas as suas perseguições aos cristãos; o amor de Jesus na estrada de Damasco, os encalços sofridos por causa das pregações do evangelho e a hipocrisia dos homens de seu tempo.

Tudo isso para que nos servisse de ensinamento nos dias atuais, pois, testemunhar em nome de Jesus, representa trabalho áspero, com sacrifícios abençoados que nos impulsionam à frente. Não devemos, então, aguardar uma redenção espiritual com facilidades no campo do serviço que não nos cabe ainda desfrutar.

Os obstáculos pertencem aos humildes trabalhadores da vinha do senhor que, concentrados em suas tarefas desprezam o mundo e esse, inadvertidamente, os rechaça de seu convívio, visto que demonstram em suas vidas a certeza da imortalidade da alma e o desperdício de tempo ao se dedicarem, demasiadamente, com as coisas materiais.

Caminhar ao lado de Jesus é aceitar os testemunhos de isolamento e incompreensão, mas com a consciência tranquila do dever cumprido. Jesus, hoje e sempre em nossas vidas.

Por Roberto Sabbadini